Flamengo se desfaz de promessa que exigia ser titular por contrato

A situação do meia Caio Rangel, 18 anos, ex-Flamengo, resume bem o que vem ocorrendo nas categorias de base do futebol brasileiro. De um lado a pressa das revelações, pressionadas por empresários, a se firmarem na equipe. De outro, a lentidão dos dirigentes em mantê-los, aceitando a primeira proposta de negociação que surgir.

Desde que chegou ao rubro-negro carioca, em 2007, Caio Rangel era uma das principais promessas do clube. Esta história, porém, não teve final feliz para os flamenguistas, que o viram aceitar a proposta do Cagliari, para onde se transferiu em meados deste mês de julho. Sua alegação básica foi a de não ter tido espaço entre os profissionais do Flamengo.

Caio Rangel, 18 anos, está de saída do Flamengo
Caio Rangel, 18 anos, está de saída do Flamengo

Caio havia sido convocado para várias seleções brasileiras de base, inclusive para a seleção sub-17 que disputou, em 2013, o Sul-Americano e o Mundial. Nas duas competições teve boa atuação, mostrando habilidade na condução da bola e uma ginga brasileira que lembrava a do ex-craque Dener, que despontou na Portuguesa nos anos 90.

Tudo conspirava para que ele se tornasse o novo ídolo do clube. Até que, próximo do fim de seu contrato, os procuradores do jogador não se entenderam com a diretoria do Fla. Segundo a coluna Panorama Esportivo, do jornal O Globo, a diretoria se viu sem alternativa e aceitou a proposta de 1,2 milhão de euros que o Cagliari fez para o jogador.

Isto porque o contrato de Caio venceria em fevereiro de 2015, e o jogador ficaria livre para negociar, sem que o Flamengo recebesse um tostão pela sua saída. Pela Lei, até direito a pré-contrato com outro clube ele teria direito a fazer, seis meses antes do fim de seu vínculo com a equipe que o formou.

Então, no momento de renovar o contrato com o Flamengo, os procuradores do jogador exigiram um contrato de cinco anos, com salários de R$ 50 mil mensais e reajuste anual de R$ 10 mil. A proposta nem seria tão exorbitante se não fosse seu complemento.

A estafe do jovem atleta também reivindicou premiação por convocações para a seleção brasileira, tanto a de base quanto a principal. Não bastasse isso, a proposta impunha a participação do jogador, no mínimo em 25% dos treinamentos da equipe profissional e a escalação em pelo menos 15 jogos deste time principal, além da trasnferência de 40% dos direitos econômicos do jogador para a família dele.

Tanta exigência, e a falta de um jogo de cintura dos dirigentes para chegar a um acordo, fizeram o clube perder uma promessa que poderia ser importante para o futebol brasileiro, neste momento de reformulação. (R-7)

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