Confira entrevista com o Acácio, ex-goleiro do Vasco

Um dos ídolos do Vasco, com boas atuações com direito a defesas monstruosas pelo time de São Januário nas décadas de 1980 e 90, o ex-goleiro Acácio concedeu entrevista ao jornalista Freitas Neto no programa “Café Esporte Bola” da Rádio Bradesco Esporte nessa semana. Na oportunidade, o goleiro hoje com 55 anos(24/01/1959), analisou o momento atual do futebol.

Com passagens por Seleção Brasileira, onde foi campeão da Copa América de 1989 e futebol português, pelo Tirsense e Beira-Mar, detentor de vários títulos pelo time Cruz-Maltino, incluindo o brasileiro de 1989, Acácio observa uma tamanha transformação no futebol, e um dos pontos positivos, segundo ele foi o da alteração na regra para goleiros, fato desses não mais poderem tocar com as mãos a bola recuada por um companheiro.


Para Acácio, isso tornou o futebol mais rápido e dinâmico. O ex-goleiro também destaca na entrevista as condições de trabalho nos clubes, algo que mudou positivamente se comparado àquela época e no final elogia o jovem goleiro Jordi, do Vasco. Leia os principais trechos da entrevista:

EXPERIÊNCIA NA VÁRZEA

– Como qualquer garoto, hoje se torna muito mais fácil. Normalmente, na minha época a gente era visto na ‘pelada’ de base. Hoje, você tem escolinhas de futebol, coisa que não existia antes, na naquela época, principalmente no interior do estado, a gente jogava em campos de várzea. Hoje, também temos o futsal que também revela muitos jogadores. Eu iniciei por intermédio de uma amigo, que me viu jogar, e observou as minhas qualidades para ser goleiro. Quanto a mim, sinceramente, não querendo ‘puxar sardinha’, mas eu tinha qualidade para jogar em outras posições, mas muito mais para ser goleiro.

COMEÇO NO AMERICANO

– Um amigo me viu jogando na várzea e fez o convite para eu fazer um teste no Americano de Campos. Eu tinha entre 11 e 12 anos, à época se chamava ‘dente de leite’, hoje é mirim e pré-mirim. Então, fiz o teste, fui aprovado logo e comecei no Americano.

APOIO DA FAMÍLIA

– Bastante. Principalmente o meu pai. Somos uma família de oito irmãos- seis homens e duas mulheres e aí você imagine eu sendo o caçula da família e dando para jogador de futebol. Fiz o teste no Americano e fui aprovado e foi uma felicidade imensa para meus familiares.

ESTADIA NO AMERICANO E PROFISSIONAL PELO RIO BRANCO

– Fiquei entre cinco e seis anos e disputei torneio em várias categorias- dente de leite, infantil, juvenil e depois nos junior’s já com 17 anos me tornei profissional pelo Rio Branco de Campo e aí você tem que ter a assinatura do pai, porque você é de menor e foi obedecido todos os critérios e acabei me tornando profissional pelo Rio Branco muito cedo com apenas 17 anos, joguei lá durante três anos e ainda fui campeão.

OPORTUNIDADE PELO SERRANO E PERDA DO GENITOR

– Exatamente. Mas nesse meio tempo eu fui emprestado pelo Rio Branco ao Goytacaz, depois fui para o Serrano em 1980, lá fiz um teste, mas antes em 1979 perdi meu grande incentivador, que era meu pai e eu fiquei meio desiludido do futebol, tanto que pensei em parar de jogar futebol, mas um amigo de Campos, chamado Ronaldo Soares Bastos, figura bastante conhecida na cidade foi ser supervisor do Serrano de Petrópolis e me fez este convite. Eu realmente não queria, mas ele insistiu dizendo que mesmo que eu não passasse no teste você vai conhecer uma cidade maravilhosa, então acabei indo topei o convite e nos testes fui aprovado imediatamente, joguei dois anos seguidos pelo Serrano- 1980 e 1981.

PARTIDA HISTÓRICA: VITÓRIA SOBRE O FLAMENGO- 1×0, GOL DE ANAPOLINA

– Foi nessa partida que o futebol do Rio passou a me olhar com outros olhos. Foi uma partida inesquecível, ganhamos de 1×0 do timaço do Flamengo, que tinha Zico, Adílio, Tita, Júnior, Leandro, enfim, um timaço, mas o Serrano ganhou e acabou tirando o Flamengo de uma possível decisão de campeonato, colocando o próprio Vasco para decidir com o Fluminense. Este jogo, realmente me mostrou para o futebol do Rio de Janeiro.

BOA ATUAÇÃO CONTRA O FLA E CONTRATAÇÃO PELO VASCO

– Quando fiz o vestibular para Direito e passando na reclassificação, coloquei objetivo na minha vida, eu coloquei que ali era minha grande oportunidade e essa partida quando aconteceu numa boa hora, além disso devo dizer que fiz um belo campeonato carioca, então pensei: agora tem que ser minha grande chance!, vou aproveitar, e foi exatamente o que aconteceu e no final do ano de 81, fui contratado pelo Vasco da Gama. Não só a vitória sobre o Flamengo, mas pra mim foi uma satisfação enorme, principalmente por eu ser de uma família vascaína.

GUINADA NA CARREIRA

– Primeiro você tem de acreditar em seu potencial, em você próprio se não você não vai a lugar nenhum, segundo não desistir por causa dos percalços porque isso realmente acontece. Eu comecei num pequeno clube de Campos, no caso o Americano, fui profissionalizado cedo em outro pequeno clube de Campos, o Rio Branco, depois passei pelo Goytacaz, Serrano, fui também para o Comercial de Campo Grande, acabei não ficando, tive vários percalços para chegar onde eu cheguei.

CONSELHO PARA GAROTADA

– O garoto que está começando no futebol tem que ter na mente, o seguinte: não é no primeiro objetivo que não conseguir tem que desistir não, tem que ir em busca do sonho e daquilo que ele almeja.

VAGA DE TITULAR E TÍTULO PELO VASCO

– Fui contratado pelo Vasco no final de 1981, iniciei em 1982, fui sendo logo reserva imediato do Mazzaropi, sendo que no mesmo ano consegui a titularidade. Me senti honrado em ter conseguido conquistar a posição de grande goleiro e ídolo no Vasco que foi o Mazzaropi. No meu primeiro ano pelo Vasco, fui campeão estadual em cima do Flamengo.

EXPERIÊNCIA NO FUTEBOL PORTUGUÊS

– O futebol português evoluiu muito. O futebol português na minha época, no final da década de 80 e início de 90 era de um nível muito baixo, não apenas o futebol português, mas Portugal em si, o país cresceu muito com a Euro e o futebol evoluiu e melhorou bastante, as condições, principalmente. O garoto e o profissional do futebol brasileiro não pode reclamar, na minha época em Portugal, pra se ter uma ideia, na Copa de Portugal se joga até em campo pelado, sem relva, que é o gramado para nós brasileiros, é campo de chão, areia mesmo, e eu vi muitos garotos, tanto no Tirsense, onde eu joguei por um ano na Segunda Divisão, depois subi. Joguei depois três ano pelo Beira Mar. Nesse dois clube, vi os garotos treinarem em campos de terra, de areia.

REGRAS PARA GOLEIROS

– Eu peguei duas situações, a que podia recuar e o goleiro pegar a bola com as mãos para o companheiro, e isso era mais fácil, mas hoje o futebol evoluiu, mas eu também ainda vivi a época de que o goleiro não podia pegar a bola recuada com as mãos. O que foi importante nisso tudo: foi quando foi implantado o treinador de goleiros, que antes não existia. Mas com as mudanças, o futebol evoluiu para melhor, já que ficou mais rápido e dinâmico.

ELOGIOS AO JOVEM GOLEIRO JORDI

– Mostrou muita personalidade. Em todas as posições do esporte, a personalidade é fundamental, mas nessa posição de goleiro precisa ter muito mais, até porque o goleiro é solitário, ele não pode falhar, pois está diante de milhares de pessoas, depende as vezes muito mais dos outros do que de si, enfim para esta posição específica de goleiro tem que ter muita personalidade e esse garoto, o Jordi já demonstrou que tem personalidade e muito potencial e merece mais chances no Vasco.

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